Querida pessoa,
Eu me encontrava tranquilo apesar do meu desconfortável devaneio. Aqui,
num monótono acalentar do dia cinza, ouvi o som do telefone a tocar e quando vi
era ela a me chamar. Perguntei o que acontecera e por descuido ou soneto acolá
estava sua alma prantear no leito. Corri ao seu encontro, entrei em sua casa,
desvesti do meu casaco velho que havia um cheiro suave de hortelã e a chamei
pelo nome. As palavras não lhe
chegaram à boca arduamente, pois o pranto que ali se instalava era forte.
Sentamos no sofá e começamos a conversar, estávamos de frente um para o outro.
No ir e vir de olhares, uma dor de cabeça e um calafrio fulminante
assolavam-me. Aprendi a chorar pelos que choram. Desviei meu corpo para estar
mais perto e ela deitou em meu peito enquanto eu a entrelaçava em meus braços.
Minha respiração ofegou-se, minhas mãos acariciavam seu cabelo e mesmo com todo
fervor, eu sentia um ardor. Meu queixo excedia sua cabeça e eu me senti como se
estivesse a protegendo de tudo que era mau. Coloquei a timidez de lado para
dizer um eu te amo e que eu não era apenas um amigo, mas sim, um irmão que
estaria sempre com ela. Fechei meus olhos e comecei a orar, falei por alguns
célebres minutos. Ao concatenar nossos corações, enxuguei suas lágrimas e a
beijei suavemente no rosto. Foi um dos momentos mais rápidos e incrivelmente
demorados ao longo de 6.704 dias de vida. O pranto começou a secar-se, o
líquido derramado escorria por entre os pelos do meu braço que deveras arrepiaram-se com o tocar de nossas almas. O sorriso tímido empeçava no ar e eu não
poderia ter ficado mais alegre por tê-la acalentado em meus átrios. Assim,
quero estar mais 6.704 dias com ela. É difícil dizer um Creio em Deus Pai nos
dissabores da vida. Todavia, Ele sempre enviará nem que seja alguém para nos
consolar, jamais estaremos desamparados.
Com amor, Pedro.